FÉRIAS :O PATRIARCADO TAMBÉM VAI À PRAIA
- Katia Gutierre
- há 13 minutos
- 2 min de leitura

Férias, a violência também viaja nas férias : para muitas mulheres, não são descanso,
são apenas o cenário diferente onde a sobrecarga continua — e, em alguns casos, a violência também.
Enquanto todos entram no mar, ela fica sentada.
Não porque quer.
Mas porque alguém precisa cuidar das bolsas, dos documentos, das crianças pequenas.
Ela é a única que não se molha, não relaxa, não some no horizonte.
Ela é a última a se alimentar.
Mas foi a primeira a pensar em tudo:
água, lanche, comida, protetor solar, troca de roupa, remédio, horário.
Ela garante que todos comam —
e depois, limpa tudo.
Ela não caminha livremente.
Não pode se sentir bonita em paz.
Se alguém a admira, ela está errada.
Se chama atenção, é julgada.
Se se cala, é invisível.
E há aquelas que, além da sobrecarga, sofrem violência nas férias.
Violência psicológica, moral, patrimonial.
Humilhações sutis.
Controle disfarçado de “ciúme”.
Medo disfarçado de “família feliz”.
E ninguém percebe — porque a violência também tira férias dos olhos de quem não quer ver.
Isso não é cuidado.
Isso não é amor.
Isso não é parceria.
Isso é uma estrutura que ensina que o descanso dos outros depende do cansaço da mulher.
Férias deveriam ser tempo de descanso, prazer e liberdade para todas.
Dividir tarefas não é ajuda — é obrigação.
Cuidar não é destino feminino.
E nenhuma mulher deveria carregar sozinha o peso de garantir a felicidade de todos.
Se você se reconhece aqui, não é exagero.
É real.
E precisa ser dito.
💜 Pelo direito das mulheres ao descanso.
💜 Pela divisão justa do cuidado.
💜 Pelo fim de todas as formas de violência — inclusive aquelas que acontecem em silêncio, à beira do mar.

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