
Misoginia é crime !
- Katia Gutierre
- há 17 horas
- 3 min de leitura
Misoginia como crime: um avanço necessário na proteção das mulheres
O Brasil deu um passo importante no enfrentamento à violência contra a mulher. O Senado Federal aprovou, no dia 24 de março de 2026, o projeto de lei que inclui a misoginia como crime de preconceito e discriminação, com pena de 2 a 5 anos de prisão, além de multa. Agora, o texto segue para análise da Câmara dos Deputados.
A proposta define misoginia como ódio, aversão ou desprezo contra mulheres, reconhecendo algo que nós já denunciamos há muito tempo: a violência contra a mulher não começa no ato físico — ela nasce na cultura, no discurso, no desrespeito cotidiano.
Até então, atitudes misóginas eram tratadas como injúria ou difamação, com penas muito mais leves. Com essa mudança, o Estado brasileiro reconhece que o ódio contra mulheres é estrutural, grave e precisa ser combatido com rigor.
Por que essa lei é tão importante?
Porque a misoginia mata.
Ela está por trás do feminicídio, da violência doméstica, do assédio, das ameaças, da humilhação pública e da tentativa constante de silenciar mulheres.
Dados recentes mostram uma realidade alarmante: milhares de mulheres são vítimas de tentativa de feminicídio todos os anos no Brasil. Não estamos falando de casos isolados — estamos falando de um padrão de violência que precisa ser interrompido.
Reconhecer a misoginia como crime de preconceito é dizer, de forma clara:
➡️ O ódio contra mulheres não é opinião. É violência.
➡️ Não é liberdade de expressão. É violação de direitos.
➡️ Não é cultura. É crime.
O debate existe — mas a urgência é maior
Durante a votação, houve preocupações sobre liberdade de expressão. Esse debate é válido, mas não pode ser usado como desculpa para tolerar violência.
A própria Constituição já garante a liberdade de expressão — mas nenhum direito é absoluto quando fere a dignidade e a segurança de outras pessoas.
Quando discursos incentivam o ódio, a inferiorização e a violência contra mulheres, não estamos mais falando de opinião — estamos falando de preconceito que gera morte.
Misoginia: o início de um ciclo de violência
A misoginia não aparece do nada. Ela é construída e alimentada:
em piadas que diminuem mulheres
em discursos de ódio nas redes sociais
em grupos que incentivam a violência
na normalização do controle e da dominação
Esse projeto também chama atenção para movimentos que propagam esse tipo de pensamento, especialmente na internet, onde o ódio cresce de forma organizada e perigosa.
Uma resposta do Estado — e um chamado à sociedade
A aprovação desse projeto tem um peso jurídico, político e moral. É um recado claro de que o Brasil não pode mais fechar os olhos para a violência contra mulheres.
Mas a lei, sozinha, não resolve tudo.
É preciso educação, conscientização, preparo das autoridades e, principalmente, mudança cultural.
Não existe família sem respeito.
Não existe sociedade justa sem igualdade.
E não existe liberdade quando mulheres vivem com medo.
Seguimos vigilantes
Agora, o projeto segue para a Câmara dos Deputados, onde pode sofrer alterações. Por isso, é fundamental que a sociedade acompanhe, cobre e defenda essa pauta.
Cada avanço na lei é resultado de luta.
E nós não vamos parar.
Fonte: Agência Senado – 24/03/2026
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