
Tele atendimento saúde mental no SUS
- Katia Gutierre
- há 2 dias
- 4 min de leitura
SUS amplia teleatendimento em saúde mental para mulheres em situação de violência e mães atípicas
Acolhimento, escuta e cuidado também para quem cuida. O Ministério da Saúde ampliou o acesso à saúde mental por meio do SUS e passou a disponibilizar 100 mil teleatendimentos mensais destinados a mulheres em situação de violência e a mulheres que cuidam de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
O serviço, chamado Acolhe Mais + Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres, está disponível pelo aplicativo Meu SUS Digital e representa um importante avanço na ampliação do acesso ao cuidado psicológico, especialmente para mulheres que enfrentam situações de violência, sobrecarga, isolamento ou dificuldades para chegar presencialmente aos serviços de saúde.
A iniciativa, que começou como projeto-piloto em março de 2026 nas cidades de Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ), foi ampliada para todos os estados brasileiros.
Quem pode acessar?
O atendimento contempla:
Mulheres que estão vivendo ou já viveram situações de violência;
Mães atípicas;
Tias, avós, irmãs e outras familiares que cuidam de pessoas com deficiência;
Familiares que cuidam de pessoas com transtornos do neurodesenvolvimento;
Familiares responsáveis pelo cuidado de pessoas com doenças raras.
A ampliação reconhece uma realidade que muitas vezes permanece invisível: quem cuida também precisa ser cuidado.
A rotina de uma mulher responsável pelo cuidado de outra pessoa pode envolver sobrecarga física e emocional, dificuldades financeiras, isolamento, falta de tempo e ausência de uma rede de apoio. Quando essa mulher também vivencia uma situação de violência, a vulnerabilidade pode ser ainda maior.
Por isso, oferecer um espaço seguro de escuta pode ser uma importante porta de entrada para o cuidado.
Como acessar o teleatendimento?
Para utilizar o serviço:
1. Acesse o aplicativo Meu SUS Digital utilizando sua conta gov.br.
2. Entre em “Miniapps”.
3. Selecione “Acolhe Mais + – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”.
4. A usuária será direcionada para a plataforma da AgSUS, onde deverá realizar o cadastro.
5. Informe se o atendimento está relacionado a uma situação de violência ou à condição de cuidadora de uma pessoa com deficiência, transtorno do neurodesenvolvimento ou doença rara.
6. Em até 24 horas, a equipe entrará em contato para que seja escolhido o melhor dia e horário para a consulta.
A usuária receberá lembretes até a data agendada e, no dia do atendimento, receberá o link para realizar a teleconsulta.
Atendimento especializado e acolhedor
Nos casos relacionados à violência, o primeiro contato busca compreender a situação vivenciada pela mulher, avaliar possíveis riscos, identificar sua rede de apoio e conhecer suas principais necessidades.
Cada usuária poderá realizar até 10 sessões, com possibilidade de iniciar um novo ciclo quando necessário.
Quando houver necessidade de continuidade do cuidado, a mulher poderá ser encaminhada para um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou outro serviço da rede de saúde do território.
O atendimento também poderá ser procurado diretamente no CAPS, conforme a necessidade de cada pessoa.
As consultas são realizadas por psicólogas mulheres, preparadas pelo Ministério da Saúde para realizar uma escuta sensível no ambiente virtual e identificar situações de risco.
Horários
Segunda a sexta-feira: 8h às 20h
Sábados: 8h às 14h
Em situações de emergência
O teleatendimento é uma importante porta de entrada para o cuidado, mas não substitui um atendimento de emergência quando existe risco imediato.
Em situações de perigo iminente, a orientação é buscar os serviços de emergência adequados, como o SAMU (192) ou a Polícia Militar (190).
Nos casos graves que não exigem uma intervenção emergencial naquele momento, os profissionais poderão articular o cuidado com os serviços de saúde do território e realizar os encaminhamentos necessários.
Quem cuida também precisa de cuidado
Existe uma frase que precisa ser repetida:
Cuidar de alguém não significa deixar de cuidar de si.
Muitas mulheres passam anos colocando suas próprias necessidades em segundo plano. São mães, avós, tias, irmãs e familiares que assumem diariamente responsabilidades de cuidado e, muitas vezes, enfrentam essa realidade praticamente sozinhas.
Para essas mulheres, conseguir atendimento psicológico pode parecer impossível diante da falta de tempo, das dificuldades de deslocamento e da própria rotina de cuidados.
A possibilidade de realizar uma consulta de forma remota pode diminuir algumas dessas barreiras e criar um espaço para que essas mulheres também possam falar sobre suas dores, seus medos, suas dificuldades e suas necessidades.
A mulher que cuida também merece ser acolhida.
A mulher que protege também precisa de proteção.
A mulher que sustenta tantas vidas também precisa de alguém que cuide dela.
Um importante avanço no cuidado às mulheres
A ampliação do teleatendimento reforça a importância de uma política de saúde que enxergue a mulher de maneira integral e considere não apenas a violência que ela pode estar enfrentando, mas também os impactos emocionais da sobrecarga, do cuidado contínuo e da ausência de uma rede de apoio.
O SUS precisa estar onde a mulher está — inclusive quando ela não consegue sair de casa.
Informação também é proteção. Por isso, se você conhece uma mulher que pode se beneficiar desse serviço, compartilhe esta informação.
Ela pode estar precisando de ajuda e ainda não ter encontrado uma porta de entrada.
Nenhuma mulher deve enfrentar a violência, a sobrecarga ou o sofrimento emocional sozinha.
Projeto Acolhimento Mulher
Nosso compromisso é ampliar informação, acolhimento, prevenção e acesso aos direitos das mulheres.
Informação salva.
Acolhimento transforma.
Rede de proteção pode salvar vidas.

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